Vesting: como funciona e por que pode ser o diferencial do seu negócio
É nesse cenário que o vesting ganha protagonismo, funcionando como uma estratégia para engajar colaboradores estratégicos e, ao mesmo tempo, proteger os fundadores.
Mais do que uma tendência, o vesting é uma ferramenta jurídica e de gestão que pode impulsionar o crescimento do negócio.
O que é vesting?
O vesting é um mecanismo contratual que concede ao colaborador ou parceiro estratégico o direito de adquirir participação societária de forma gradual.
Diferente de entregar imediatamente uma fatia do negócio, ele estabelece que esse direito será conquistado ao longo do tempo e/ou mediante cumprimento de metas.
Por exemplo, um desenvolvedor pode receber a promessa de 5% da empresa, mas essa participação só será efetivada ao longo de quatro anos de dedicação, durante os quais ele deverá produzir X entregáveis, ou estruturar uma área específica do negócio.
Cláusulas essenciais no contrato de vesting
Um contrato de vesting bem estruturado deve prever pontos que garantem segurança jurídica e equilíbrio entre as partes.
Um dos mais importantes é o que chamamos de “cliff” (período mínimo), que é o tempo que o colaborador precisa permanecer antes de conquistar qualquer participação.
Também é fundamental estabelecer de forma clara o período em que as quotas são adquiridas gradualmente, e quais resultados específicos serão exigidos.
Nessa mesma toada, destacamos também a definição sobre o que acontece se o colaborador deixar a empresa antes do período do vesting, com pleno cumprimento do contrato ou por descumprimento deste, e qual o efeito em cada um desses cenários.
Esses elementos são fundamentais para evitar litígios e garantir previsibilidade.
Por que o vesting é importante para as empresas?
É comum que os negócios enfrentem alta rotatividade e forte competição por talentos no mercado contemporâneo. O vesting surge para resolver esse problema ao alinhar interesses de fundadores e colaboradores.
Quem participa de um vesting passa a ter não apenas um emprego, mas também um objetivo em comum: o crescimento da empresa.
Imagine uma edtech (startup do setor de educação) em expansão que oferece vesting a seu CTO. Com um cliff de 12 meses e prazo de quatro anos, ele só conquista integralmente os 5% prometidos se permanecer todo o período e cumprir metas que impactam o crescimento do negócio.
Isso protege os fundadores, garantindo-lhes certa previsibilidade e, ao mesmo tempo, motiva o profissional a apostar no negócio.
Segurança jurídica e formas de implementação
O vesting precisa ser formalizado juridicamente. Promessas informais de participação podem gerar disputas e ações judiciais. No Brasil, há diferentes formas de implementação.
Ele pode ser incluído, por exemplo, no Acordo de Sócios por meio de cláusulas de aquisição gradual de quotas (quando o beneficiário já é sócio de uma fração da empresa), ou em termo apartado de opção de compra de quotas ou ações.
Em todos os cenários, é recomendado o acompanhamento de um especialista. Sem esse cuidado, o vesting pode ser questionado judicialmente, colocando em risco a própria empresa.
Vantagens e cuidados com o vesting
Como se pode notar ao decorrer deste texto, as vantagens do vesting são inúmeras:
- Alinhamento de interesses em prol do crescimento do negócio;
- Redução da saída precoce de profissionais estratégicos;
- Impedimento de participação sem contribuição de fato;
- Competição com grandes empresas mesmo sem altos salários.
Apesar de vantajoso, o vesting deve ser usado com cautela.
Elabore contratos claros e em conformidade com a lei, estabeleça prazos e metas realistas para não desmotivar os colaboradores, revise periodicamente os contratos para adaptá-los ao estágio da empresa e não se esqueça: conte com apoio jurídico especializado!
Sem esses cuidados, a ferramenta que deveria ser um motor de crescimento sustentável para seu negócio pode gerar mais problemas do que soluções.
